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CURTA-AS
(textos em formato pequeno)
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Aqui neste espaço
você encontrará idéias escritas por pessoas ligadas
à Arte, especialmente à Música.
Novos conceitos, discussões
estéticas, novas ferramentas musicais, críticas ao mercado
artístico, enfim tudo o que puder movimentar idéias que
contribuam para desenvolver a Música.
Quando o debate for caloroso,
com posições contra e a favor, publicaremos em outra seção.
Na página FÓRUM DE DEBATES.
Se você tiver algo
a dizer a respeito do que for falado nestas páginas, mande-nos
seus comentários que eles poderão ser publicados.
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"em 37 anos de vida
criativa (1908-1945)
31 obras
duração
média: 5 minutos
a mais longa: 10
minutos
a mais curta: menos
de um minuto
a obra de Anton Webern
cabe toda em 4 LPs:
cerca de 3 horas
toda a obra de webern
poderia ser executada
num único
concerto
mas tanta compressão
informativa
seria ainda hoje
uma bomba-sônica
para a maioria dos ouvintes
megatons de informação
sonora
megantons
(AUGUSTO
DE CAMPOS)
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"Louis
Armstrong e Duke Ellington são dois nomes que se opõem,
quando colocados juntos. Difícil encontrar duas personalidades
cuja aparência, significação e contribuição
à história do jazz tenham seguido rumos tão
ostensivamente diversos. Armstrong e Ellington eram, ambos, negros
norte-americanos; nasceram na virada do século e morreram
em princípios da década de 70. Alcançaram,
tanto um como outro, fama mundial e sucesso financeiro graças
a uma vida devotada, toda ela, à música. As semelhanças
parecem cessar aí. E, no entanto, são precisamente
as diferenças fundamentais existentes entre essas personalidades
e entre suas obras que nos impelem a aproximá-los: Armstrong
+ Ellington = algo assim como uma síntese da substância
do jazz."
(LEONARD
FEATHER)
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"Caymmi está
mais para o gênero de que em mulher não se bate nem
com flor. Suas mulheres podem ser mestiças pobres, mas nunca
maltratadas. E Caymmi, como já disse, não fala, em
seus sambas e canções, de desencontros, decepções,
ressentimentos ou rancores amorosos. Fala em 'sofrer de amor' em
SÓ LOUCO, exceção sintomática. Ele é
o contrário de Lupiscínio Rodrigues, criador de um
notável elenco de amantes arrasados e amadas perversas (o
que não deixa de ser uma ironia: filho de uma região
onde a ideologia da macheza virou ritual, o Rio Grande do Sul, Lupiscínio
é o poeta da cornitude brasileira). Caymmi nada tem a ver
com intensas dramatizações da cena amorosa. Nem sequer
fala de amor nos seus sambas: canta mulheres alegres e gostosas,
eventualmente com parceiros, mas não se perde em reflexões
sobre o drama amoroso. Quando abre a guarda, em DORALICE, é
para dizer que 'o amor é tolice, bobagem, ilusão'.
Caymmi é um admirador de mulheres, repito".
(ANTONIO
RISÉRIO)
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"Os três QUARTETOS
RAZUMOVSKI foram tidos, na época de sua estréia, na
melhor das hipóteses, como complicados demais, quando não
desencadearam críticas de rara violência. Um violinista
chegou a declarar a Beethoven que aquilo não era música,
tendo ouvido como resposta: 'não é para o senhor,
é para os tempos vindouros'. Os três quartetos do opus
59 foram compostos em 1805-1806 para atender a uma encomenda do
conde André Razumovski".
(JEAN-JACQUES
SOLEIL & GUY LELONG)
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"Zappa compôs
uma ópera rock burlesca (JOE'S GARAGE, 1, 2 & 3, CBS),
fez filmes (dos quais 200 MOTELS), dirigiu a Royal Philarmonic,
produziu um desenho animado, tocou com Lennon e compôs uma
partitura para Pierre Boulez... De origem grega e italiana, o Groucho
do rock é atraído por todas as formas de música:
clássica, folclore oriental, música concreta, interessa-se
por teatro de vanguarda, gosta de poetas simbolistas e surrealistas,
toca rock clássico, jazz, pop psicodélico e blues.
E provavelmente muitas outras coisas mais, se for julgado por seus
espetáculos recheados de piadas licenciosas ou observações
filosóficas. Celebrizado desde meados dos anos 60 com o seu
grupo The Mothers of Invention (um nome muito expressivo), misturou
humor, crítica política e investigação
sonora durante toda a sua longa carreira".
(PHILIPPE PARAIRE)
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"Para muita gente
- inclusive para quem fisiologicamente não pode ouvir - tudo
pode ser música: o movimento mudo das constelações
em contínua expansão, a escola que passa sambando,
um jogo, o pulsar cadenciado do coração, seu ou alheio,
um rito, um grito, o canto coletivo que dá mais força
ao trabalho. E mais: uma confissão sincera ou não,
uma viagem, uma aventura; o lazer e o fazer. E ainda: conversas,
o estar atento àquele que domina o seu instrumento, o misturar-se
às ondas do mar ou à multidão reunida na praça,
o tentar compreender uma construção, o imaginar num
átimo a agitação dos átomos. Isso tudo
também pode ser música... Pois música é,
antes de mais nada, movimento".
(J.
JOTA DE MORAES)
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"O acorde é
uma noção essencialmente ligada ao desenvolvimento
harmônico da música; é uma superposição
de sons que têm uma lógica por si mesmos, em sua própria
estrutura, e uma lógica de encadeamento em que são
chamados de graus, consonâncias e dissonâncias. Os acordes
utilizados habitualmente fundam-se no sistema de terças,
segundo a ressonância natural dos corpos sonoros, como foi
demonstrado por Rameau. No mundo tonal clássico, os acordes
têm uma função que depende da hierarquia tonal;
mas um acorde é uma entidade que pode ser generalizada quer
por inversão, quer por transposição. Mais recentemente,
o acorde, tendo perdido pouco a pouco suas funções
estruturais, tornou-se um agregado sonoro, escolhido por si mesmo,
por suas possibilidades de tensão e distensão internas,
segundo os registros que ocupa e os intervalos que põe em
jogo. Sua função estrutural encontra-se, portanto,
diminuída e mais aguda: isto tende a provar que a era propriamente
harmônica da música européia ocidental terminou".
(PIERRE
BOULEZ)
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"A explosão
do rock'n roll, em meados dos cinquenta, foi um fenômeno que
se desenvolveu à margem dos esquemas que dominavam, na época
- como dominam até hoje - o mundo do rádio, discos
e show business. Foi obra de uma minoria desprezada, formada por
artistas até então obscuros e de prestígio
escasso em face da estética musical vigente e por um público
adolescente que ainda não entrava nas cogitações
dos grandes donos do negócio musical. Disc-jockeys de algumas
estações de rádio sem maior importância
e pequenas companhias gravadoras criaram, então, uma despretensiosa
infra-estrutura para a nova música - e a novidade surpreendente
que revelou foi a existência de um novo público de
adolescentes, apaixonado pela energia rude e primitiva desses artistas
obscuros, um público que logo mostrou ser suficientemente
volumoso e fiel para, afinal, captar a atenção das
grandes companhias. A explosão, em suas carcterísticas
originais, foi uma febre violenta mas que durou pouco, como costuma
acontecer com febres violentas: apenas alguns anos, a rigor de 1953
a 1958. No final dos cinquenta, o mercado adolescente já
era uma realidade nítida para a chamada Máquina. A
consequência inevitável foi que a criação
espontânea e vigorosa dos artistas que inventaram o rock'n
roll passou a ser subtituída, em escala cada vez mais ampla,
por produtos pré-fabricados, programados por encomenda para
o consumo pelos businessmen que controlam as fontes de produção
e os canais de distribuição da música popular.
Como parece acontecer sempre, o comércio não só
dominou como esvaziou e adaptou aos seus próprios interesses
o que havia se apresentado como uma genuína - isto é,
espontânea, não-programada - revolução
cultural. O que restou desta última foram as férteis
sementes que haveriam de frutuficar em nova explosão, ainda
mais violenta e febril, a do rock dos sessenta. Daí em diante,
a História parece se repetir, mutatis mutandis."
(LUIZ
CARLOS MACIEL)
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"O swing é
um aspecto do ritmo que há muitos anos desafia definição.
Conquanto haja muito de verdade no comentário frequentemente
citado de Louis Armstrong de que se você não sente
o swing jamais saberá o que ele é, a observação
pouco nos ajuda a compreendê-lo. Reconhecidamente, a definição
do swing guarda mais ou menos a mesma relação imprecisa
com o próprio swing que a notação do jazz com
o jazz executado. Da mesma forma que a descrição de
uma cor básica ou do gosto de uma laranja, a definição
adquire significado apenas quando a coisa definida é também
experimentada".
(GUNTHER
SCHULLER)
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